27 Setembro 2004

Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou simplesmente Allan Kardec, foi o codificador da Doutrina Espírita. Antes de conhecermos melhor a vida deste professor francês, mostraremos como foi seu primeiro contato com o mundo espiritual, que conseqüentemente serviu de marco inicial para o Espiritismo.

Kardec e os Espíritos

Em 1855, Hippolyte Léon Denizard Rivail, professor francês de aritmética, pesquisador de astronomia e magnetismo, foi convidado por um amigo seu a ver de perto estas manifestações que ocorriam nos salões da capital francesa. Rivail era discípulo de Pestalozzi, chamado de pai da pedagogia moderna, e casado com Amélie Gabrielle Boudet. Nascido em 03 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, já ouvira sobre o assunto das mesas girantes e não entendia bem o que estava acontecendo. Homem criterioso, Rivail não se deixava levar por modismos e como estudioso do magnetismo humano acreditava que todos os acontecidos poderiam estar ligados à ação das próprias pessoas envolvidas, e não de uma possível intervenção espiritual.O professor então participou de algumas sessões, e algo começou a intrigá-lo. Percebeu que muitas das respostas emitidas através daqueles objetos inanimados fugiam do conhecimento cultural e social dos que faziam parte do "espetáculo". Como os móveis, por si só, não poderiam mover-se, fatalmente havia algum tipo de inteligência invisível atuando sobre os mesmos, e respondendo aos questionamentos dos presentes.Rivail presenciava a afirmação daqueles que se manifestavam, dizendo-se almas dos homens que viveram sobre a Terra. Foi então, que uma das mensagens foi dirigida ao professor. Um ser invisível disse-lhe ser um Espírito chamado Verdade e que ele, Rivail, tinha uma missão a desenvolver, que seria a codificação de uma nova doutrina .Atento aos dizeres do Espírito, e depois de muitos questionamentos à entidade, pois não era homem de impressionar-se com elogios, resolveu aceitar a tarefa que lhe fora incumbida.O Espírito de Verdade disse-lhe ser sim uma falange de Espíritos superiores que vinha até aos homens cumprir a promessa de Jesus, no Evangelho de João, capítulo XIV; versículos 15 a 26: "E eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque habita convosco e estará em vós... Mas, aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito".Através dos Espíritos, Rivail descobriu que em uma de suas encarnações anteriores foi um sacerdote druida, de nome Allan Kardec.Foi então que resolveu adotar este pseudônimo durante a codificação da nova doutrina, que viria a se chamar Doutrina Espírita ou Espiritismo. Kardec assim procedeu para que as pessoas, ao tomarem conhecimento dos novos ensinamentos espirituais, não os aceitassem por ser ele, um conhecido educador, quem estivesse divulgando. Mas sim, que todos os que tivessem contato com a boa nova a aceitassem pelo seu teor racional e sua metodologia objetiva, independente de quem a divulgasse ou a apoiasse.

A Codificação

A partir daí foram 14 anos de organização da Doutrina Espírita. No início, para receber dos Espíritos as respostas sobre os objetivos de suas comunicações e os novos ensinamentos, Kardec utilizou um novo mecanismo, a chamada cesta-pião: um tipo de cesta que tinha em seu centro um lápis. Nas bordas das cestas, os médiuns, pessoas com capacidade de receber mais ostensivamente a influência dos Espíritos, colocavam suas mãos, e através de movimentos involuntários, as frases-respostas iam se formando. Julie e Caroline Baudin, duas adolescentes de 14 e 16 anos respectivamente, foram as médiuns mais utilizadas por Kardec no início.Com o decorrer do tempo, a cesta-pião foi dando lugar à utilização das próprias mãos dos médiuns, fenômeno que ficou conhecido como psicografia.Todas as perguntas e respostas feitas por Kardec aos Espíritos eram revisadas e analisadas várias vezes, dentro do bom senso necessário para tal. As mesmas perguntas respondidas pelos Espíritos através das médiuns eram submetidas a outros médiuns, em várias partes da Europa e América. Assim, o codificador viajou por cerca de 20 cidades. Isso para que as colocações dos Espíritos tivessem a credibilidade necessária, pois estes médiuns não mantinham contato entre eles, somente com Kardec.Este controle rígido de tudo o que vinha de informações do mundo espiritual ficou conhecido por "Controle Universal dos Espíritos". Disto, estabeleceu-se dentro da Doutrina Espírita que qualquer informação vinda do plano espiritual só terá validade para o Espiritismo se for constatada em vários lugares, através de diversos médiuns, que não mantenham contato entre si. Fora isso, toda comunicação espiritual será uma opinião particular do Espírito comunicante.Com todo um esquema coerentemente montado, Allan Kardec preparou o lançamento das cinco Obras Básicas da Doutrina Espírita, a Codificação, tendo início em 1857 com o lançamento de "O Livro dos Espíritos". Estes livros contêm toda a teoria e prática da doutrina, os princípios básicos e as orientações dos Espíritos sobre o mundo espiritual e sua constante influenciação sobre o mundo material.Durante a codificação, Kardec lançou um periódico mensal chamado "Revista Espírita", em 1858. Nele, comentava notícias, fenômenos mediúnicos e informava aos adeptos da nova doutrina o crescimento da mesma e sua divulgação. Servia várias vezes como fórum de debates doutrinários, entre partidários e contrários ao Espiritismo. A Revista Espírita foi a semente da imprensa doutrinária.No mesmo ano, Kardec viria a fundar a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Constituída legalmente, a entidade passou a ser a sociedade central do Espiritismo, local de estudos e incentivadora da formação de novos grupos.
Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, aos 65 anos, vítima de um aneurisma. Sua persistência e estudo constantes foram essenciais para a elaboração do movimento espírita e organização dos ensinos do Espírito de Verdade.

Origem e Natureza dos Espíritos
Perguntas de Allan Kardec aos Espíritos Superiores

76. Que definição se pode dar dos Espíritos?

“Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.”

77. Os Espíritos são seres distintos da Divindade, ou serão simples emanações ou porções desta e, por isto, denominados filhos de Deus?

“Meu Deus! São obra de Deus, exatamente qual a máquina o é do homem que a fabrica. A máquina é obra do homem, não é o próprio homem. Sabes que, quando faz alguma coisa bela, útil, o homem lhe chama sua filha, criação sua. Pois bem! O mesmo se dá com relação a Deus: somos Seus filhos, pois que somos obra Sua.”

78. Os Espíritos tiveram princípio, ou existem, como Deus, de toda a eternidade?
“Se não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando, ao invés, são criação Sua e se acham submetidos à Sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, é incontestável. Quanto, porém, ao modo porque nos criou e em que momento o fez, nada sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se quiseres com isso significar que, sendo eterno, Deus há de ter sempre criado ininterruptamente. Mas, quando e como cada um de nós foi feito, repito-te, nenhum o sabe: aí é que está o mistério.”

79. Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?
“Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos.”

80. A criação dos Espíritos é permanente, ou só se deu na origem dos tempos?

“É permanente. Quer dizer: Deus jamais deixou de criar.”
81. Os Espíritos se formam espontaneamente, ou procedem uns dos outros?

“Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela Sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.”
82. Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais?

“Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”
Comentário de Kardec. Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as idéias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhe falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação.
83. Os Espíritos têm fim? Compreende-se que seja eterno o princípio donde eles emanam, mas o que perguntamos é se suas individualidades têm um termo e se, em dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se dissemina e volta à massa donde saiu, como sucede com os corpos materiais. É difícil de conceber-se que uma coisa que teve começo possa não ter fim.

“Há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. Isso, porém, não é razão para que as repilais. O filho não compreende tudo o que a seu pai é compreensível, nem o ignorante tudo o que o sábio apreende. Dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim. É tudo o que podemos, por agora, dizer.”

Kardec, Allan. Da obra: Livro dos Espíritos

24 Setembro 2004

A partir de hoje até o dia 03/10, vamos dedicar as mensagens do blog ao Bicentenario de Nascimento do Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail, também conhecido como Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, o textos são grandes, mas valem a pena serem lidos. boa semana para todos, Beijos e Abraços

Allan Kardec - O Libertador de Consciências
(A. Merci Spada Borges)


"Se me amardes, guardareis os meus mandamentos e eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador para que fique convosco para sempre, o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber porque não o vê e nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos! Voltarei para vós! Mas aquele Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito". (João, 14:15-18 e 26)
A marcha evolutiva da Humanidade prosseguiu lenta, ininterrupta... Séculos dobraram sobre séculos; lutas intermináveis, perseguições constantes contra os seguidores do Cristo; testemunhos e mortes dolorosas, guerras, violências marcaram o carreiro evolutivo do homem sobre a Terra. Todavia, dos Planos Maiores o Divino Nazareno permanece velando pelas ovelhas que o Pai lhe destinara.
Finalmente soam os clarins, desponta a alvorada do século XIX. Século em que a Filosofia, após atingir, no século anterior, o apogeu do Iluminismo, expande-se em todas as direções. A Ciência, rompidos os grilhões que a atavam ao Clero, desprende-se da Filosofia e parte para a comprovação dos fatos através das múltiplas experimentações. Prenuncia-se a liberdade de pensamento em prol da evolução intelectual.
Campo preparado! Semeadores a postos! Em pontos estratégicos, renascem os cultivadores. A sementeira do bem, fecundada lentamente durante a noite prolongada dos tempos, eclode no silêncio dos corações.
Nenhum outro país, senão a França apresenta condições tão favoráveis para a implantação do Consolador que Jesus prenunciara. E, Paris, a capital francesa, mais do que nunca, se encontra em condições de oferecer campo fértil para as conquistas culturais e expandir o desenvolvimento intelectual, não somente para a Europa, como também para uma grande parte do Planeta. Preparado o local, a Terra se engalana para acolher o Mensageiro de Jesus. É o momento de apresentar ao mundo o Consolador, descortinando a Era do Espírito Imortal.
A escolha recaíra sobre um Espírito que, em remota encarnação, fora um sacerdote druida, com o nome de Allan Kardec, ali mesmo nas Gálias de outros tempos. Por amor ao Cristo tornou-se mártir por mais de uma encarnação; cresceu em experiências relevantes e em sabedoria.
Espírito de escol, sabia que a missão exigia enfrentar os mais árduos obstáculos, as mais dolorosas vicissitudes, mas também sabia que Jesus velaria incansável: " Não vos deixarei órfãos! Eu estarei convosco!".
Assim, reencarna um plêiade de Espíritos que deveria colaborar com o Mensageiro do Cristo na divulgação dos conhecimentos não só morais e doutrinários, mas também científicos, filosóficos e artísticos em diferentes países, a fim de preparar o alicerce para a grande edificação moral que haveria de alcançar a Humanidade cansada e aflita: O Consolador.
Completa-se nos Planos Luminares a estrutura de toda a programação e, no dia 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lyon, Jeanne Louise Duhamel e o esposo, Jean Baptiste Antoine Rivail, acolhem nos braços o filhinho que recebe o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, aquele que seria o Codificador do Espiritismo: a "Religião do Amor que viria empreender a batalha da transformação moral (...) religando em perfeita união o Criador e a criatura".
Desde a primeira infância Rivail já revela desenvoltura e inteligência ímpares.
Aos dez anos inicia os seus estudos no instituto de Yverdon, na Suíça, dirigido pelo famoso pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi, que fora influenciado pelas idéias de Jean-Jacques Rousseau. O objetivo do grande educador suíço é assimilado desde cedo pelo pequeno Rivail: " Melhorar a educação e a instrução das crianças pobres".
Esse Instituto abrigou e preparou uma grande parte dos maiores vultos da intelectualidade européia.
Após os longos estudos, instala-se, o jovem Rivail, em Paris, "a capital cultural do mundo", iniciando suas atividades de professor.
Sua primeira grande preocupação é pôr em prática os ideais sedimentados na moderna educação que recebera: "(...) auxiliar os pequeninos nas difíceis (...) e aborrecidas questões de cálculos aritméticos (...)". Entregou-se ao estudo e à pesquisa dos melhores e mais avançados métodos para solucionar o problema.
De sua dedicação surge seu primeiro livro: Cours d’Arithmétique. Apenas 20 anos tem o jovem escritor!
Esse livro é o marco inicial de uma série de obras educacionais e pedagógicas que vão surgindo ao longo de sua brilhante e árdua carreira de educador. Aos 28 anos casa-se com a jovem Amélie Boudet, que haveria de tornar os seus dias mais suaves.
Pesquisador por excelência, o jovem Rivail entra em contato com a nova ciência do Magnetismo que se introduz na França pelas mãos do médico e cientista alemão, formado por Viena, Franz Anton Mesmer.
Descobrira Mesmer, através de múltiplas experimentações, que o magnetismo é uma energia produzida pelo próprio homem e que se exterioriza pelo poder da vontade. E que, direcionada para o bem, produz efeitos curativos.
Constataram os adeptos da nova ciência que extraordinárias curas se efetuam através da imposição das mãos dos magnetizadores.
Essa ciência nada mais faz do que revelar a lei, embora desconhecida dos homens, utilizada por Jesus na cura de doentes e obsidiados, durante sua peregrinação terrena. Rivail, com grande interesse, acompanha o desenvolvimento desse fenômeno ao lado de inúmeros magnetizadores que compõem o rol de seus amigos.
Mais tarde, Allan Kardec associa o fluido magnético à Doutrina Espírita, como elemento indispensável ao tratamento do corpo e da alma, bem como dos processos obsessivos, destacando sua importância na comunicabilidade dos Espíritos. Hoje, popularizado com o nome de Passe ou Bioenergia.
Atinge, o emérito professor, a madureza dos 50 anos, forjados no trabalho digno. Ouve falar, pela primeira vez, sobre um estranho fenômeno que começa a intensificar-se nos salões elegantes da época: o fenômeno das mesas girantes. No início, o experiente educador não demonstra interesse; acredita tratar-se de frivolidades passageiras, quando então, seu amigo, o Senhor Fortier, antigo magnetizador, o informa:
- "Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade".
Para o grande pensador aquilo não parecia tão estranho, pois, pela lógica, o magnetismo é energia e como tal pode ser capaz de movimentar objetos. Algum tempo depois o mesmo amigo retorna:
- "Temos uma coisa muito mais extraordinária; não só se consegue que uma mesa se mova, magnetizando-a, como também que fale. Interrogada, ela responde".
"Isto agora - replica o Prof. Rivail - é outra questão. Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé".
Os fenômenos se multiplicavam por toda parte, os amigos não se cansavam de falar-lhe sobre o fato; finalmente Rivail aceita o convite de um outro amigo, o Sr. Pâtier, para assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. de Plainemaison. " Foi aí - diz o Prof. Rivail - que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida."
Em todas as épocas, em todos os lugares sempre ocorreram os mais diferentes gêneros de comunicações dos Espíritos; contudo, o fenômeno das mesas girantes é considerado o ponto de partida do Espiritismo, termo, esse, criado por Allan Kardec.
Assim, o ilustre educador passou a observar atentamente os fatos, chegando à conclusão de que os movimentos e as comunicações eram provocados por seres inteligentes. Percebeu que a inteligência que atuava sobre a mesa era obediente às ordens dadas. Todavia, para que o fenômeno se realizasse era necessária a presença de pessoas portadoras de mediunidade. Notou-se também que o material ou o tipo de mesa não influenciava a comunicação.
A partir de então, através dos movimentos da mesa o Espírito passa a responder por um sim ou um não, segundo o número de pancadas convencionadas.
"Aperfeiçoou-se essa arte de comunicação pelo sistema alfabético de pancadas." Todavia, a lentidão levou a outros métodos. Após vários estudos concluiu-se que os diferentes meios adotados (cestas, pranchetas, mesas, etc.) poderiam ser substituídos pelas mãos dos médiuns. A esse novo método o eminente Codificador denominou psicografia direta ou manual.
Em casa da família Baudin, através da mediunidade das duas senhoritas Baudin, Hippolyte Léon Denizard Rivail entra em contato com o Espírito Zéfiro que se tornou grande auxiliar de seus trabalhos.
Diria então:
"(...) percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida. Era, em suma, toda uma revolução nas idéias e nas crenças (...)".
A partir de então Rivail passou a levar "para cada sessão uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas. Eram sempre respondidas com precisão, profundeza e lógica (...) Eu, a princípio, cuidara apenas de instruir-me; mais tarde, quando vi que aquilo constituía um todo e ganhava as proporções de uma doutrina, tive a idéia de publicar os ensinos recebidos, para instrução de toda a gente. Foram aquelas mesmas questões que, sucessivamente desenvolvidas e completadas, constituíram a base de O Livro dos Espíritos".
Estava pronto o alicerce da Doutrina que Rivail denominou Espiritismo, a Doutrina revelada pelos Espíritos. O Codificador era educador emérito, com vários livros publicados, e a doutrina dos Espíritos não poderia permanecer sob a sua sombra, haveria de crescer por si só e transformar-se numa árvore frondosa. Em sua humildade de Embaixador do Cristo apagou-se o grande professor Rivail e surgiu o desconhecido Allan Kardec, nome que tivera, havia muitos séculos, como sacerdote druida.
Assim "O Livro dos Espíritos", compêndio de Filosofia Espiritualista, foi publicado em 18 de abril de 1857. A obra alcançou êxito extraordinário, despertou a atenção de muitos. Os pedidos se sucediam e a primeira edição esgotou-se rapidamente. Em 18 de março de 1869 vem a lume a 2ª edição, inteiramente refundida e consideravelmente ampliada, com 1.019 questões elaboradas por Allan Kardec e respondidas pelos Espíritos. O alicerce da grande construção está concluído.
Logo após a publicação da primeira edição de "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec se entrega à elaboração da Revista Espírita.
As dificuldades foram enormes, o trabalho incansável, mas o grande batalhador não se deixa esmorecer e a 1º de janeiro de 1858 vem a público o primeiro número da Revista Espírita. A partir de então "(...) os números se sucediam mensalmente, sem interrupção". A Revista foi o porta-voz, o grande auxiliar na divulgação e expansão da Doutrina Espírita. Tornou-se a mensageira, o elo de ligação entre Paris e as diversas partes do Mundo. No mesmo ano, 1858, em 1º de abril, Kardec fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Instituição que, sob a sua presidência, passa a abrigar todas as reuniões do grupo espírita.
Muitas vezes, tentou afastar-se da direção, não o conseguindo por insistência dos seus colaboradores e dos Espíritos Reveladores. Consultas e orientações são solicitadas de todos os continentes para a instalação de novos núcleos. O trabalho é árduo. Entre os colaboradores fiéis se infiltram os detratores, mas o Mensageiro do Cristo não desanima, luta e prossegue na sua tarefa de reerguimento moral. Ele sabe que o tempo urge, não se detém, a obra não pode ser prejudicada.
A 15 de janeiro de 1861 publica mais uma obra da Codificação - "O Livro dos Médiuns"- que contém as bases científicas e experimentais da Doutrina.
As paredes do grande edifício educacional da Humanidade começam a erguer-se. O combate dos inimigos recrudesce. Em setembro desse mesmo ano o Sr. Lachâtre, amigo de Allan Kardec, residente, então, em Barcelona, na Espanha, encomenda-lhe 300 volumes, entre os quais "O Livros dos Espíritos", "O Livros dos Médiuns", coleções da Revista Espírita, obras e brochuras diversas sobre o assunto. Aportando no seu destina, as obras são apreendidas sob as ordens do Bispo, que ordena a queima delas em praça pública pelas mãos do carrasco, através do Auto-de-Fé.
Um abuso de poder, a mercadoria tinha dono e entrara legalmente no país. "A execução da sentença foi marcada para 9 de outubro de 1861. (...) no local onde são executados os criminosos condenados ao derradeiro suplício (...)".
Resquícios de Inquisição! Os jornais de maior circulação da Espanha noticiam o fato. Um pintor, ali mesmo no local da execução, desenhou uma aquarela representando o ato abominável e apressa-se em enviá-la ao Codificador. Outros lhe enviam porções das cinzas com fragmentos legíveis das folhas queimadas, que o Codificador teve o cuidado de conservar em uma urna de cristal.
Este foi um fato histórico de grande relevância para os anais do Espiritismo, conforme previra o Espírito de Verdade, em comunicação de 21 de setembro de 1861, quando Kardec lhe indaga se conviria prosseguir na reclamação para restituição das obras apreendidas:
"Mas, ao meu parecer, desse auto-de-fé resultará maior bem do que o que adviria da leitura de alguns volumes. A perda material nada é, a par da repercussão que semelhante fato produzirá em favor da Doutrina (...) A queima dos livros determinará uma grande expansão das idéias espíritas e uma procura febricitante das obras dessa doutrina".
Uma nova obra está em vias de se completar. Silenciosamente ele vai estruturando-a. Ele sabe que sua publicação provocará a reação do clero, pois seu conteúdo ataca "as penas eternas e outros pontos nos quais ele baseia sua influência e seu crédito".
Recorre aos Espíritos; o reconforto vem do mais Alto: "Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. (...) Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual muro de aço, resistiria a todos os ataques".
"Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes e já se lhe pode ver a cúpula a desenhar-se no horizonte. Continua, pois, sem impaciência e sem fadiga; o monumento estará pronto na hora determinada".
O mês de abril é pródigo em realizações. Assim, mais uma vez, em abril de 1864 surge a primeira edição da obra monumental: "Imitação de O Evangelho segundo o Espiritismo". Nas edições subseqüentes o seu título é substituído por "O Evangelho segundo o Espiritismo", atendendo à insistência de seus amigos e em especial de seu editor, o Sr. Didier.
A ira do Clero explode violenta e, a 1º de maio do mesmo ano, Roma inclui as obras espíritas no Index (Catálogo de obras perigosas, portanto, proibidas pela Igreja).
Mais uma vez a atitude do Clero favoreceu a expansão da Doutrina Espírita.
A partir de então "a maioria das livrarias apressaram-se a pôr essas obras em evidência". E como normalmente acontece com as coisas proibidas, a curiosidade humana facilitou a sua divulgação. As emoções se sucedem, o trabalho é árduo, o discípulo do Cristo prossegue sem descanso, chega a pôr-lhe em risco a própria saúde.
O Espírito amigo Dr. Demeure alerta-o: " Precisas de repouso; as forcas humanas têm limites que o desejo de que o ensino progrida te leva muitas vezes a ultrapassar. Estás errado, porquanto, procedendo assim não apressarás a marcha da Doutrina, mas arruinarás a tua saúde e te colocarás na impossibilidade material de acabar a tarefa que vieste desempenhar neste mundo (...)".
Mais ponderado, o Codificador prossegue. Não importam as injustiças, a ingratidão, os ataques constantes, ele não pode parar: palestras, viagens de orientações, auxílio aos necessitados. Por toda parte florescem os seus princípios de Amor e Caridade para com os desvalidos da sorte.
Ressalta como máxima da Doutrina nascente: "Fora da Caridade não há salvação".
No ano seguinte, em 1º de agosto de 1865, segundo Henri Sausse, vem a público "O Céu e o Inferno". Em 6 de janeiro de 1868 era editado o quinto livro da Codificação: "A Gênese".
A Doutrina Espírita está Codificada: Ciência, Filosofia e Religião, os três pilares da monumental edificação - produto da aliança estabelecida entre os dois planos da vida.
O Espiritismo se expande por toda parte, levando a todos os corações O Consolador prometido por Jesus. O Mensageiro do Cristo já não tem a saúde dos primeiros tempos; o coração cansado, pelo excesso de trabalho e por fortes emoções, resolve retirar-se para local onde já tinha casa de sua propriedade. Os colaboradores estão em condições de prosseguir na tarefa de divulgação.
Último dia de março, 1869, nos escritórios da Revista Espírita Allan Kardec ultima os preparativos, ordenando tudo a fim de poder transferir-se para a Avenida e Vila Ségur, 39.
Não há tempo, "o bom-senso encarnado" ali mesmo tomba em conseqüência da ruptura de um aneurisma. E o Codificador, aos 65 anos, retorna à Pátria Espiritual com a consciência tranqüila pelo dever bem cumprido.
"Todos os jornais consagram um artigo especial à memória daquele homem" que, com saber, dignidade e renúncia erigiu, com as revelações dos Espíritos, um monumental corpo de doutrina.
Assim, o Espiritismo, nos seus aspectos filosófico, científico e religioso, vem demonstrar ao homem, de forma lógica e racional, que a dor é produto de seus próprios erros e o progresso depende do esforço encetado nas diferentes reencarnações, instrumento da justiça suprema do Eterno Pai.

20 Setembro 2004

O que é o Evangelho no Lar

É uma reunião fraterna dos componentes do Lar, sob o amparo de Jesus.
Por que fazê-lo?
Para bem compreender e sentir o Evangelho, a fim de melhor exemplificá-lo.
Para se criar o hábito salutar de reuniões Evangélicas no Lar, com o objetivo de despertar e acentuar o sentimento de fraternidade que deve existir entre as criaturas.
Para melhor proteção do Lar, através de bons pensamentos ensejando a afluência dos Mensageiros do Bem.
Para a obtenção do amparo necessário que possibilite a superação das dificuldades materiais e espirituais, em consonância com a recomendação “Orai e Vigiai” ensinada por Jesus.
Para unir sempre mais os participantes do Lar, propiciando uma vivência mais amorosa.
Como fazê-lo
Reunir os componentes do Lar uma vez por semana em dia e hora predeterminados.
Iniciar com uma prece simples e espontânea.
Ler um trecho de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e comentá-lo de forma acessível, sem polemizar.
Fazer vibrações:
Pela implantação e a vivência do Evangelho em todos os Lares;
Pela Paz na Terra;
Pela Paz no Brasil;
Pelas criaturas carentes;
Pelas pessoas com quem temos dificuldades de ajustamento;
Pelo incentivo e a proteção dos trabalhadores do Bem e da Verdade e,
Por nós próprios.
Fazer prece de agradecimento e encerrar.
Lembrete:
A reunião deverá ser conduzida por pessoa do Lar e incentivada a participação de todos.
Usar o “Evangelho Segundo o Espiritismo” como leitura básica, podendo-se complementar com outras obras espíritas de boa procedência.
Acautelar-se para não transformar a reunião em trabalho mediúnico; a mediunidade e a assistência espiritual devem ser atendidas em sociedade espírita idônea.
Não suspender a reunião em virtude de visitas ou eventos adiáveis. Convidados podem participar do culto.

14 Setembro 2004

"Vejamos o sexo, por exemplo. Nenhum departamento da atividade terrestre sofre maiores aleives. Fundamente cego de espírito, o homem, de maneira geral, ainda não consegue descobrir aí um dos motivos mais sublimes de sua existência. Realizações das mais belas, na luta planetária, quais sejam as da aproximação das almas na paternidade e na maternidade, a criação e a reprodução das formas, a extenção da vida e preciosos estímulos ao trabalho e à regeneração foram proporcionadas pelo Senhor às criaturas, por intermédio das emoções sexuais; todavia, os homens menoscabam o "lugar santo", povoando-lhe os altares com os fantasmas do desregramento." (...) “Ainda assim, mergulhado em deploráveis desvios, pergunta o homem pela educação sexual, exigindo-lhe os programas. Sim, semelhantes programas poderão ser úteis; todavia, apenas quando espalhar-se a santa noção da divindade do poder criador, porque, emquanto houver imundície no coração de quem analise ou de quem ensine, os métodos não passarão de coisas igualmente imundas”. (Emmanuel, in -,Pão Nosso", de P. C. Xavier.)

"O sexo é manifestação sagrada desse amor universal e divino, mas é apenas uma expressão isolada do potencial infinito. Entre os casais mais espiritualizados, o carinho e a confiança, a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física, reduzida, entre eles, a realização transitórias (André Luiz, in "Nosso Lar", de F. C. Xavier.)

"O sexo tem sido tão aviltado pela maioria dos homens reencarnados na Crosta que é muito difícil para nós outros, por enquanto, elucidar o raciocínio humano, com referência ao assunto”.(...) "Entre as criaturas, porém, que se encaminham, de fato, aos montes de elevação, a união sexual é muito diferente. Traduz a permuta sublime das energias perispirituais, simbolizando alimento divino para a inteligência e para o coração e força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna." (“Pérolas do Além” extratos de obras mediúnicas de F. C. Xavier, coligidos por Sylvio Brito Soares.)

"Não devemos esquecer que o sexo, na existência humana, pode ser um dos instrumentos do amor, sem que o amor seja o sexo." (André Luiz, in "Os Missionários da Luz", de F. C. Xavier.)

“0 cativeiro nos tormentos do sexo não é problema que possa ser solucionado por literatos ou médicos a agir no campo exterior: é questão da alma, que demanda processo individual de cura, e sobre esta só o espírito resolverá no tribunal da própria consciência. É inegável que todo auxilio externo é valioso e respeitável, mas cumpre-nos reconhecer que os escravos das perturbações do campo sensorial só por si mesmo serão liberados”. (...) “A sede do sexo não se acha no corpo grosseiro, mas na alma, em sua sublime organização” . (André Luiz, in "No Mundo Maior-, de F. C. Xavier)
Oi pessoal... como o Pablo puxou o assunto sobre SEXO, venho postar do Livro dos Espíritos (Parte 3 - Cap V: Da lei de conservação) a seguinte pergunta de Kardec e a resposta dos bons espíritos.

714 - Que se deve pensar do homem que procura nos excessos de todo gênero o requinte dos gozos?
"Pobre criatura! Mais digna é de lástima que de inveja, pois bem perto está da morte!"

a) Perto da morte física, ou da morte moral?
" De ambas."

O homem, que procura nos excessos de todo o gênero o requinte do gozo, coloca-se abaixo do bruto, pois que este sabe deter-se, quando satisfeita a sua necessidade. Abdica da razão que Deus lhe deu por guia e quanto maiores forem seus excessos, tanto maior preponderância confere ele à sua natureza animal sobre a sua natureza espiritual. As doenças, as enfermidades e, ainda, a morte, que resultam do abuso, são, ao mesmo tempo, o castigo à transgressão da lei de Deus.
ENFERMIDADES DO INSTINTO SEXUAL

As cargas magnéticas do instinto, acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro íntimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades, ainda vacilantes, do discernimento e, à maneira do esfaimado, alhieo ao bom senso, a criatur lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúmes ou despeito. À face das torturas genésicas a que se vê regalada, gera aflitivas contas cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem o progresso no tempo.
Daí nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a "histeria de conversão", a "histeria de angústia", os "desvios da libido", a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas que originam na ciência de hoje as indagações e os conceitos da psicologia de profundidade, na esfera da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, porque apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio.
Desse modo, por semelhantes ruturas dos sistemas psicomáticos, harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da sexualidade física ou exclusivamente psíquica, é que múltiplos sofrimentos são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porquanto, se forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é justo venhamos a solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados de destino, entre fronteiras domésticas, todos aqeueles que constítuimos credores de nosso amor e da nossa renúncia atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.
Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual, e consequentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe as forças, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.

André Luiz
Livro: Evolução em dois mundos - Cap. 18

10 Setembro 2004

"A energia natural do sexo, inerente à própria vida em si, gera cargas magnéticas em todos os seres, pela função criadora de que se reveste, cargas que se caracterizam com potenciais nítidos de atração no sistema psíquico de cada um e que, em se acumulando, invadem todos os campos sensíveis da alma..."


Entretanto, importa reconhecer que à medida que se nos dilata o afastamento da animalidade quase absoluta, para a integração com a Humanidade, o amor assume dimensões mais elevadas, tanto para os que se verticalizam na virtude como para os que se horizontalizam na inteligência.Nos primeiros, cujos sentimentos se alteiam para as Esferas Superiores, o amor se ilumina e purifica, mas ainda é instinto sexual nos mais nobres aspectos, imanizando-se às forças com que se afina em radiante ascensão para Deus.Nos segundos, cujas emoções se complicam, o amor se requinta, transubstanciando-se o instinto sexual em constante exigência de satisfação imoderada do "eu". De conformidade com a Psicanálise, que vê na atividade sexual a procura incessante do prazer, concordamos em uns, na própria sublimação, demandam o prazer da criação, identificando-se com a Origem Divina do Universo, enquanto que outros se fixam no encalço do prazer desenfreado e egoístico da auto-adoração.Os primeiros aprendem a amar com Deus.O segundos aspiram a ser amados a qualquer preço.A energia natural do sexo, inerente à própria vida em si, gera cargas magnéticas em todos os seres, pela função criadora de que se reveste, cargas que se caracterizam com potenciais nítidos de atração no sistema psíquico de cada um e que, em se acumulando, invadem todos os campos sensíveis da alma, como que a lhe obliterar os mecanismos outros de ação, qual se estivéssemos diante de usina reclamando controle adequado.Ao nível dos brutos ou daqueles que lhes renteiam a condição, a descarga de semelhante energia se efetua, indiscriminadamente, através de contatos, quase sempre desregrados e infelizes, que lhes carreiam, em conseqüência, a exaustão e o sofrimento como processos educativos.
Insegurança e Medo
O homem é as suas memórias, o somatório das experiências que se lhe armazenam no inconsciente, estabelecendo as linhas do seu comportamento moral, social, educacional.
Essas memórias constituem-lhe o que convém e o que não é lícito realizar.
Concorrem para a libertação ou a submissão aos códigos estabelecidos, que propõem o correto e o errado, o moral, o legal, o conveniente e o prejudicial.
Face a tais impositivos desencadeiam-se, no seu comportamento, as fobias, as ansiedades, as satisfações, o bem ou o mal-estar.
Neste momento social, o medo assume avantajadas proporções, perturbando a liberdade pessoal e comunitária do indivíduo terrestre.
Procurando liberar-se desse terrível algoz, as suas vítimas intentam descobrir-lhe as causas, as raízes que alimentam a sua proliferação. Todavia, estas são facilmente detectáveis. Estão constituídas pela insegurança gerada pela violência; pelo desequilíbrio social vigente; pela fragilidade da vida física - saúde em deterioramento, equilíbrio em dissolução, afetividade sob ameaça; receio de serem desvelados ao público os engodos e erros praticados às escondidas; e, por fim, a presença invisível da morte...
Mais importante do que pensar e repensar as causas do medo é a atitude saudável, ante uma conduta existencial tranqüila, pelo fruir cada momento em plenitude, sem memória do passado - evitando o padrão atemorizante - nem preocupação com o futuro.
A existência humana deve transcorrer dentro de um esquema atemporal, sem passado, sem futuro, num interminável presente.
*
Não transfiras para depois a execução de tarefas ou decisões nenhumas.
Toma a atitude natural do momento e age conforme as circunstâncias, as possibilidades.
Cada instante, vive-o, totalmente sem aguardar o que virá ou lamentar o que se foi.
Descobrirás que assim agindo, sem constrições, nem pressas ou postergações, te sentirás interiormente livre, pois que somente em liberdade o medo desaparece.
Não aguardes, nem busques a liberdade. Realiza-a na consciência plena que age de forma responsável e tranqüiliza os sentimentos.
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O medo desfigura e entorpece a realidade. Agiganta e avoluma insignificâncias, produzindo fantasmas onde apenas suspeitas se apresentam.
É responsável pela ansiedade - medo de perder isto ou aquilo - sem dar-se conta que somente se perde o que se não tem, portanto, o que não faz falta.
A ação consciente, prolongando-se pelo fio das horas, anula o medo, por não facultar a medida do comportamento nas memórias pessoais ou sociais.
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Simão Pedro, por medo dos poderosos do seu tempo, negou o Amigo que o amava e a Quem amava.
Judas, por medo que Ele não levasse a cabo os compromissos assumidos, vendeu o Benfeitor.
Os beneficiários das mãos misericordiosas de Jesus, por medo se omitiram, quando Ele foi levado ao sublime holocausto.
Pilatos, por medo, indeciso e pusilânime, lavou as mãos quanto à vida do Justo.
...E Anás, Caifás, a turbamulta, com medo do Homem Livre, resolveram crucificá-lO, através do hediondo e covarde conciliábulo da própria miséria moral, que os caracterizava.
Ele porém, não teve medo. Pensa e busca-O, libertando-te do medo e seguindo-O, em consciência tranqüila, mediante cujo comportamento te sentirás pleno, em harmonia.

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.Salvador, BA: LEAL, 1990.

09 Setembro 2004

Texto Antidepressivo


Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.

Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.

Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.

Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias.

Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.

Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.

Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.

Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.

Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.

Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Busca e Acharás.
Ditado pelo Espírito André Luiz.