24 Fevereiro 2005


AMIZADE E COMPREENSÃO
Emmanuel

Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem ainda agora podeis.
" - Paulo. (I CORÍNTIOS, 3:2.)

Muitos companheiros de luta exigem cooperadores esclarecidos para as tarefas que lhes dizem respeito, amigos valiosos que lhes entendam os propósitos e valorizem os trabalhos, esquecidos de que as afeições, quanto as plantas, reclamam cultivo adequado.
Compreensão não se improvisa.
É obra de tempo, colaboração, harmonia.
O próprio Cristo, primeiramente, semeou o ideal divino no coração dos continuadores, antes de recolher-lhes o entendimento.
Sofreu-lhes as negações, toleroulhes as fraquezas e desculpou-lhes as exigências para formar, por fim, o colégio apostólico.
Nesse particular, Paulo de Tarso fornece-nos judiciosa lição, declarando aos Coríntios que os criara "com leite".
Tão pequena afirmativa transborda sabedoria vastíssima.
O apóstolo generoso, gigante no conhecimento e na fé viva, edificara os companheiros de sua missão evangélica em Corinto, não com o alimento complexo das teses difíceis, mas com os ensinamentos simples da verdade e as puras demonstrações de amor em Cristo Jesus.
Não lhes conquistara a confiança e a estima exibindo cultura ou impondo princípios, mas, sim, orando e servindo, trabalhando e amando.
Existe uma ciência de cultivar a amizade e construir o entendimento.
Como acontece ao trigo, no campo espiritual do amor, não será possível colher sem semear.
Examina, pois, diariamente, a tua lavoura afetiva.
Observa se estás exigindo flores prematuras ou frutos antecipados.
Não te esqueças da atenção, do adubo, do irrigador.
Coloca-te na posição da planta em jardim alheio e, reparando os cuidados que exiges, não desdenhes resgatar as tuas dívidas de amor para com os outros.
Imita o lavrador prudente e devotado, se desejas atingir a colheita de grandes e precisos resultados.

Livro: Vinha de Luz - Emmanuel - Psicografia de Chico Xavier

23 Fevereiro 2005

A Primeira Pessoa do Plural
Richard Simonetti


“Há pessoas que, do fato de os animais ao cabo de certo tempo abandonarem suas crias, deduzem não serem os laços de família, entre os homens, mais do que resultado dos costumes sociais e não efeito de uma lei da Natureza. Que devemos pensar a esse respeito?”
“Diverso dos animais é o destino do homem. Por que, então, quererem identificá-lo com estes? Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas; há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como Irmãos.” “Livro dos Espíritos”, Questão nº 774 - Da Lei de Sociedade.)
Em 1932 Aldous Huxley, conhecido escritor inglês, lançava seu mais famoso livro: “O Admirável Mundo Novo”, uma visão pessimista do futuro da Humanidade, em que imaginava uma sociedade onde a família estaria abolida. Isso deveria ocorrer até o final deste século.
Nessa “admirável” loucura a mulher não mais daria à luz. Os filhos nasceriam em incubadeiras altamente sofisticadas, madres artificiais. Ninguém teria pai nem mãe. Seria considerado subversão falar-se do assunto. Exercitar-se-ia o sexo sem compromisso, heterogeneamente. Cada indivíduo cuidaria da própria vida, sem deveres com ninguém a não ser com o Estado.
A partir dos anos cinqüenta, com o rompimento de tabus relacionados com o sexo e o advento do amor livre, muita gente imaginou que estivéssemos a caminho de uma sociedade dessa natureza.
No entanto, mais de três décadas passaram-se e, embora o casamento seja muito questionado, a família está longe de extinguir-se e jamais o será, porquanto o acasalamento e a prole, a união entre o homem e a mulher com responsabilidades recíprocas no cuidado dos filhos é uma instituição divina que se faz sentir nos indivíduos como uma necessidade básica, muito menos subordinada a modismos sociais e muito mais como decorrência dos desígnios de Deus.
A CONSTITUIÇÃO da família obedece a uma lei natural. Com ela habilitamo-nos a desbravar os domínios do Amor, onde residem as aspirações mais ardentes da criatura humana. Referimo-nos não ao exacerbamento do impulso sexual, na paixão avassaladora, mas ao amor de verdade, que é o sentimento profundo de comunhão envolvendo os componentes da célula familiar, cujo exemplo mais eloqüente e nobre exprime-se na solicitude ma­terna, como ressalta Coe­lho Neto no soneto inesquecível:
“Ser mãe é desdobrar fibra por fibrao coração; ser mãe é ter no alheiolábio que suga o pedestal do seioonde a vida, onde o amor, cantando vibra.
Ser mãe é ser um anjo que se librasobre um berço dormido; é ser anseio,é ser temeridade, é ser receio,é ser força que os males equilibra.
Todo o bem que a mãe goza é o bem do filho,espelho em que se mira afortunada,luz que lhe põe nos olhos novo brilho.
Ser mãe é andar chorando num sorriso;ser mãe é ter um mundo e não ter nada;ser mãe é padecer num paraíso.”
Esses versos exprimem com fidelidade o que é o amor sublime que brota espontâneo na mulher que concebe, luz divina depositada em seu coração, transformando-a em colaboradora do Céu a iluminar os caminhos de filhos de Deus sob seus cuidados.
Por isso a família jamais desaparecerá, sejam quais forem as novidades inventadas pelo homem e as fantasias inspiradas no decantado amor livre, que não passa de mero exercício de sexo irresponsável. Qual a mãe que se sente com liberdade plena de fazer o que lhe aprouver, sem considerar a prole? Amor é compromisso, é dedicação, é esforço, é trabalho em favor do ser amado.
UMA das características marcantes do homem, no estágio evolutivo em que nos encontramos, é o egoísmo, a tendência de pensarmos muito em nós mesmos. No lar damos os primeiros passos a caminho da fraternidade. Na interdependência existente entre os membros da família, envolvendo pais e filhos, marido e mulher, irmãos e irmãs, opera-se um fenômeno prodigioso: aprendemos a conjugar o verbo de nossa ação não mais na primeira pessoa do singular (eu); usamos a primeira do plural (nós).
Temos no lar uma microssociedade onde exercitamos a vocação de conviver e participar. É significativo que pessoas com problemas de relacionamento social, que cometem desatinos, que se revelam incapazes de respeitar o próximo, de sensibilizar-se com os sofrimentos alheios, geralmente vêm de famílias desajustadas onde escasseavam afetividade, carinho, compreensão, solicitude...
Em mundos mais evoluídos, a família amplia-se além das fronteiras de sangue, abrangendo imensas comunidades, o que é natural: somos todos filhos de Deus.
Na Terra, adiantam-se numa abençoada vanguarda de renovação aqueles que, não obstante o cuidado da família consangüínea, ampliam sua capacidade de amar com o esforço em favor do semelhante. Cuidam de enfermos, auxiliam necessitados, consolam aflitos, vinculam-se a obras assistenciais, integrando-se verdadeiramente na vida social, onde se destacam não pela riqueza ou pela cultura, mas pelo empenho de trabalho em favor do bem comum, exercitando amor como o fazem as mães.
E, como ocorre com as mães, esses abnegados vanguardeiros estagiam, intimamente, no paraíso, ainda que transitando pelos espinhos da Terra.

Reformador - nº 1910 - Maio - 1988

19 Fevereiro 2005

PACIÊNCIA

A dor é uma benção que Deus envia aos seus eleitos. Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus Todo-Poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu.

Sede pacientes, pois a paciência é também caridade, e deveis praticar a lei de caridade, ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste em dar esmolas aos pobres é a mais fácil de todas. Mas há uma bem mais penosa, e conseqüentemente bem mais meritória, que é a de perdoar os que Deus colocou em nosso caminho, para serem os instrumentos de nossos sofrimentos e submeterem à prova a nossa paciência.

A vida é difícil, bem o sei, constituindo- se de mil bagatelas que são como alfinetadas e acabam por nos ferir. Mas é necessário olhar para os deveres que nos são impostos, e para as consolações e compensações que obtemos, pois então veremos que as bênçãos são mais numerosas que as dores.

O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto, do que quando curvamos a fronte para a terra.
Coragem, amigos: o Cristo é o vosso modelo. Sofreu mais que qualquer um de vós, e nada tinha de que se acusar, enquanto tendes a expiar o vosso passado e de fortalecer- vos para o futuro. Sede, pois, pacientes, sede cristãos: esta palavra resume tudo.



UM ESPÍRITO AMIGO
Havre, 1862




Iniciemos, cada dia, novo trabalho de evangelização em nós mesmos,
estendendo esta atividade aos que nos cercam.

Emmanuel - Francisco C. Xavier - Livro “Luz no Caminho”

17 Fevereiro 2005

FUNDAMENTOS DA ARTE
Leon Denis
A beleza é um dos atributos divinos. Deus colocou nos seres e nas coisas esse misterioso encanto que nos atrai, nos seduz, nos cativa e enche a alma de admiração.
A arte é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna, da qual aqui na Terra não percebemos senão um reflexo. Para contemplá-la em todo o seu esplendor, em todo o seu poder, é preciso subir de grau em grau em direção à fonte da qual ela emana, e esta é uma tarefa difícil para a maioria de nós. Ao menos podemos conhecê-la através do espetáculo que o universo oferece aos nossos sentidos, e também através das obras que ela inspira aos homens de talento.
O espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as informações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis superiores de harmonia e de beleza que regem o universo, vêm oferecer a nossos pensadores, a nossos artistas, inesgotáveis temas de inspiração.
A observação dos fenômenos de aparição proporciona a nossos pintores imagens da vida fluídica, das quais James Tissot já pôde tirar proveito nas ilustrações de sua Vie de Jésus (Vida de Jesus). Oradores, escritores, poetas, encontrarão nesses fenômenos uma fonte fecunda de idéias e de sentimentos. O conhecimento das vidas sucessivas do ser, sua ascensão dolorosa através dos séculos, o ensinamento dos espíritos a respeito dessa grandiosa questão do destino, lançarão, em toda a história, uma inesperada luz, e fornecerão ainda aos romancistas, aos poetas, temas de drama, móbeis de elevação, todo um conjunto de recursos intelectuais que ultrapassarão em riqueza tudo o que o pensamento já pôde conhecer até o momento.
Quando refletimos a respeito de tudo o que o espiritismo traz à humanidade, quando meditamos nos tesouros de consolação e de esperança, na mina inesgotável de arte e de beleza que ele lhe vem oferecer, sentimo-nos cheios de piedade pelos homens ignorantes e pérfidos cujas malévolas críticas não tem outra finalidade senão tirar o crédito, ridicularizar e até mesmo sufocar a idéia nascente cujos benefícios já são tão sensíveis. Evidentemente essa idéia, em sua aplicação, necessita de um exame, de um controle rigoroso, mas a beleza que dela se desprende revela-se deslumbrante a todo pesquisador imparcial, a todo observador atento.
O materialismo, com sua insensibilidade, havia esterilizado a arte. Esta arrastava-se na estreiteza do realismo sem poder elevar-se ao máximo da beleza ideal. O espiritismo vem dar-lhe novo curso, um impulso mais vivo em direção às alturas, onde ela encontra a fonte fecunda das inspirações e a sublimidade do gênio.
(Léon Denis - O Espiritismo na Arte)

14 Fevereiro 2005

Mocidade de Hoje
Emmanuel (espírito)
Mocidade é força.
Mas se força não estiver sob a direção da justiça, pode converter-se em caminho para a loucura.
Mocidade é poder.
Entretanto, se o poder não aceita a orientação do bem, depressa se converte em tirania do mal.
Mocidade é liberdade.
Todavia, se a liberdade foge à disciplina é, invariavelmente, a descida para deplorável escravidão.
Mocidade é chama.
No entanto, se a chama não sofre o controle do proveito justo, em breve tempo se transformará em incêndio devastador.
Mocidade é carinho.
Mas, se o carinho não possui consciência de responsabilidade, pode ser veneno mortal para o coração.
Mocidade é beleza da forma.
Contudo, se a beleza da forma não se enriquece com o aprimoramento interior, não passa de máscara perecível.
Mocidade é amor.
Entretanto, se o amor não se equilibra na sublimação da alma, cedo se transformará em paixão infeliz.
Mocidade é primavera de sonhos.
Todavia, se a primavera de sonhos não se enobrece no trabalho digno, todo o nosso idealismo será simplesmente um campo de flores mortas.
Se te encontras na hora radiante da juventude, não te esqueças de que o tempo é nosso julgador implacável.
A plantação de agora será colheita depois.
Nossas esperanças, dia a dia, se materializam nas obras a que nos destinamos.
A Lei será sempre a Lei.
Povoam-se e despovoam-se berços e túmulos, para que o espírito, divino caminheiro, através da mocidade e da velhice do corpo terrestre, desenvolva em si as asas que o transportarão aos cimos da Vida Eterna.
Assim, se realmente procuras a felicidade incorruptível, confia o teu coração e a tua mente ao Cristo Renovador a fim de que, jovem de hoje, te faças amanhã o caráter sem jaça que lhe refletirá no mundo a Divina Vontade.
Extraído do livro “Paz e Libertação”, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

11 Fevereiro 2005

A falta de compreensão
José Francisco Costa Rebouças


O ser humano levado pela imaturidade que lhe faz companhia desde tempos imemoriais, acostumou-se a tudo querer sob a ótica do imediatismo, ao sabor da sua vontade, sem paciência para esperar que as coisas aconteçam no momento adequado, sem observar que a natureza não dá saltos, e que tudo está preestabelecido pelas sábias Leis que regulam o universo.
De certa forma essa atitude do homem, pode ser explicada não só pela sua imaturidade, como também pela ausência de amor em seu estado presente, o que não lhe faculta uma melhor visão da vida em seus múltiplos aspectos, pois é o amor que ilumina e harmoniza a criatura, é a alma da felicidade que preenche todos os vazios e aspirações do ser humano.
As pessoas carentes e perturbadas pela febre das posses externas acreditam que a felicidade reside na sucessão das glórias que o poder faculta e nos recursos que amealha. Ledo equívoco, por que o tormento da posse aflige e impulsiona a sua vítima a metas cada vez mais desmedidas, tornando sua existência numa busca desenfreada para possuir cada vez mais, não refletindo que a felicidade independe do que se tem momentaneamente, mas sim daquilo que se é, estruturalmente constituído pelo amor, sem necessidades de gestos grandiosos, manifestando-se nos pequeninos acontecimentos e situações naquele que o abriga.
Esta compreensão que o amor propicia conduz à solidariedade nos momentos difíceis, nas grandes dores, na solidão, na amargura que periodicamente aflige todas as criaturas, e que enquanto a pessoa não experimenta o suave envolvimento do amor, vive movimentando-se nas heranças dos desejos, nas teias dos instintos, sofrendo sempre quando os seus interesses não se encontram atendidos e suas aspirações não são correspondidas.
Preciso se faz ao homem entender que nos localizamos no contexto universal, e nossa tarefa essencial é a de auto-iluminação, que logo se desdobra em serviço a favor do progresso próprio e do seu semelhante, mediante a consideração pela ordem, não a violando, nem a submetendo aos caprichos e desejos que lhe predominam no mundo íntimo.
Alimentada pela seiva nutriente do amor, desenvolve-se no indivíduo os demais sentimentos da compaixão e da ternura, da caridade e do perdão, que são as partituras que mantêm as belas, suaves e harmoniosas melodias da vida.
Quanto mais se ama, mais nos inundamos de bênçãos alcançando as demais criaturas e envolvendo tudo a nossa volta, tornando-nos mais sadios, alegres, otimistas, sem preocupação doentia de possuir nada além do necessário para o nosso conforto e manutenção, entendendo definitivamente que os bens materiais não são capazes de nos fornecerem felicidade por mais que os tenhamos em abundância.

Fonte: www.espirito.org.br
Sobre o Amor
Richard Simonetti


01 – Amo um homem que me ama. Porém sou casada e ele também. Ambos temos filhos. Haverá inconveniente em nos unirmos, considerando que me sinto uma mulher adulta e capaz de assumir essa responsabilidade?
Não parece. Quem admite desfazer dois lares para realizar-se afetivamente estagia na imaturidade. Qualquer pessoa que tenha o siso sabe que é impossível edificar a própria felicidade sobre infelicidade alheia.

02 – Estou me relacionando com um homem casado. Tentei várias vezes terminar, mas gosto muito dele e ele de mim. Não consigo me sentir culpada por isso.
Isso é grave. Existindo o sentimento de culpa, a consciência de que se está fazendo algo indevido, nem tudo está perdido. Podemos mudar de rumo. Quando nos acomodamos ao erro, sob inspiração do egoísmo, podemos permanecer por largo tempo no desvio, até que venham as rudes lições da dor, a mestra infalível.

03 – O que deve fazer uma pessoa que ama e não é correspondida?
Cuidar da vida. Alimentar ilusões em torno de alguém que não corresponde às nossas expectativas é marcar passo na jornada humana, sofrendo inutilmente. A idéia de que não se pode ser feliz sem um amor correspondido exprime um equívoco cometido por pessoas que ainda não compreenderam que o amor à vida é a grande fonte de felicidade.

04 – Há dois anos sofri uma desilusão e não consegui mais me encontrar. Por que isso acontece?
Por que você está convivendo com um cadáver. Em princípio a desilusão é algo positivo. Significa que estávamos iludidos. É a morte da ilusão. O problema é que as pessoas costumam guardar esse cadáver no armário. É horrível! Cheira mal! Melhor cuidar da vida, sem alimentar fantasias…

05 – Tive um namorado que amei muito. Ele desencarnou antes do casamento. Hoje sou casada com outro. É possível a convivência com dois amores?
Devemos ser monógamos no amor romântico e polígamos no amor fraterno. O primeiro é um compartimento fechado, estreito, onde não é aconselhável conviverem mais de duas pessoas. O amor fraterno é um universo – cabem filhos, pais, irmãos, amigos, colegas, ex-namorados… Não raro eles se confundem no processo reencarnatório. O filho de hoje pode ser o namorado querido de ontem, ensaiando estágios mais nobres de afetividade, nos domínios do amor.

06 – Duas pessoas que se amam e renunciam ao amor nesta encarnação para não causar sofrimento a alguém, poderão ser felizes e realizarem o amor numa próxima?
O amor verdadeiro, envolvendo a comunhão as almas, tem cunho de perenidade. No desdobramento das experiências reencarnatórias podem ficar transitoriamente separadas, por força de seus compromissos, mas sempre retornarão ao convívio, estreitando laços de afetividade.

07 – Sou uma mulher jovem e amo um homem casado. Devo abrir-me com ele demonstrando como o amo? Sinto que é o homem de minha vida...
Para que? Para tentá-lo? Para confundi-lo e comprometer-se? É preciso cuidado. Quando nos entregamos a devaneios é fácil nos envolvermos com fantasias amorosas, que podem causar sérios embaraços a nós mesmos e a outras pessoas.

08 – Se após uma amizade de longos anos nasce uma atração entre o homem e a mulher, pode surgir o amor?
Não há nenhum problema, desde que ambos estejam "livres e desimpedidos". Desejável que o relacionamento comece com uma grande amizade, a melhor forma de amor. Que venha depois o envolvimento passional, o contato físico, o desejo de acasalamento. Quando essa sinalização é invertida pode dar tudo errado. Empolgação primeiro, tédio e insatisfação depois, quando a pessoa verifica que o parceiro não é exatamente o que procurava.

10 Fevereiro 2005

Problemas do Mundo

O mundo está repleto de ouro.
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.

O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.

O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.

O mundo está repleto de teorias.
Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas. Terias nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.

O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas. Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.

Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o mostro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Espírita que o desentranha da letra, na construção da Humanidade Nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela idéia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e, parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: “Fora do Cristo não há solução.” BEZERRA DE MENEZES -

Psic. F. C. XavierLivro “O Espírito da Verdade” - Ed. FEB

05 Fevereiro 2005

Sexo nos Espíritos
Richard Simonetti


1 – Espírito tem sexo?

Essa pergunta foi formulada por Allan Kardec, na questão 200, de O Livro dos Espíritos. A resposta dos mentores espirituais, "Não como entendeis, porque os sexos dependem de constituição orgânica", é afirmativa. Não obstante, traz importante ressalva: não se trata de uma condição morfológica. Não há órgãos sexuais masculinos ou femininos na personalidade imortal, estabelecendo a distinção.

2 – Se não é uma questão de forma física, como se exprime, então, uma sexualidade espiritual?

Uma condição psicológica. Dizemos que é um Espírito masculino se nele predominam características eminentemente masculinas; se ocorre o contrário, é feminino.

3 – Isso significa que nenhum Espírito é masculino ou feminino por inteiro?

A psicologia vem demonstrando isso. Há sempre uma mesclagem. Digamos que o Espírito "masculino" tem setenta por cento de masculinidade e trinta de feminilidade, e vice-versa.

4 – Essa distinção é permanente?

É transitória. Com o desdobramento das experiências evolutivas opera-se um equilíbrio perfeito entre a masculinidade e a feminilidade.

5 – A reencarnação faz parte desse processo?

Sim. Reencarnando múltiplas vezes como homem e como mulher, o Espírito desenvolverá suas potencialidades e aprenderá a exercitar o que há de melhor na masculinidade e na feminilidade.

6 – Há uma alternância? Hoje homem, amanhã mulher, novamente homem…

Não necessariamente. O Espírito pode reencarnar várias vezes como homem ou mulher, alternando o sexo com menos freqüência, sempre de conformidade com suas necessidades evolutivas.

7 – Se o Espírito masculino reencarna como mulher depois de várias reencarnações como homem, não terá dificuldade para adaptar-se ao sexo feminino?

Não, porque haverá uma polarização das características femininas, adequando sua psicologia à morfologia. Ele se ajustará à condição feminina, sem problemas.

8 – Até quando ocorrerá essa alternância?

Até que atinja estágios mais altos de espiritualidade. O Espírito puro apresenta perfeito equilíbrio entre a masculinidade e a feminilidade. Por isso costuma-se dizer que anjo não tem sexo.

Do livro: Reencarnação: Tudo o que você precisa Saber

03 Fevereiro 2005

Surpresa na Casa de Pedro
Richard Simonetti

Certa feita Simão Pedro levou Jesus e dois companheiros, Tiago e João, ao seu lar(Mateus, 8:14-15). Ao entrarem uma surpresa: a sogra de Pedro de cama, em estado febril...

Jesus tomou-lhe as mãos e em breves momentos a temperatura normalizou-se. A respeitável senhora ergueu-se bem disposta e pôs-se a servir os visitantes.

Evidenciava-se uma vez mais o poder incomparável do Messias que, a um simples toque, curava os mais variados males.

Surpreendente, amigo leitor, não foi a presença da febre. Primeira defesa do organismo em face de determinados males, todos a experimentamos eventualmente. Nem a sogra morar com o genro. O apóstolo tinha a vocação para a santidade.

A surpresa foi ele ter sogra. Pedro seria consagrado na Idade Média como o primeiro papa.

Um sumo pontífice casado?!

A passagem é esclarecedora.

Considere-se, ainda, que não há nos ensinamentos de Jesus qualquer referência a suposta incompatibilidade entre a vocação religiosa e o matrimônio.

Em nenhum momento Jesus impõe o celibato como algo indispensável para que o indivíduo se integre nas funções de orientador espiritual de uma comunidade, mesmo um papa.

Nos serviços de atendimento fraterno, no Centro Espírita, constata-se que as causas mais freqüentes dos desajustes espirituais relacionam-se com os conflitos domésticos, decorrentes de relacionamento difícil, incontinência verbal, problemas financeiros, educação dos filhos...

É complicado orientar os entrevistados com base apenas na teoria, sem vivência familiar, envolvendo cônjuges e filhos. O conhecimento é importante, mas a experiência é fundamental.

Imaginemos um estudante de medicina sem contato com pacientes...

Um botânico que nunca lidou com plantas...

Um professor de dança que jamais ensaiou um passo...

Oportuno destacar:

Não havia imposição de celibato na primitiva comunidade cristã. Os fiéis, em qualquer posição da hierarquia religiosa, casavam-se, conscientes da perfeita compatibilidade entre seus compromissos espirituais e familiares. O próprio Pedro é exemplo maior.

A partir do século quarto da era cristã, quando Constantino iniciou o processo que transformaria o Cristianismo em religião oficial do Império Romano, o movimento se institucionalizou, surgiu o profissionalismo religioso. A partir daí houve lamentáveis desvios.

Um deles foi a imposição do celibato, consagrado no Concílio de Latrão, no ano de 1139.

Dentre os objetivos, três primordiais:

Preservar os patrimônios da instituição. Sacerdotes casados tenderiam a privilegiar a formação de seus próprios patrimônios.

Preservar a castidade. O sexo para os teólogos medievais era algo pecaminoso. Como poderia o ministro de Deus, o orientador religioso, exercitá-lo? Seria um sacrilégio.

Preservar a dedicação plena. Compromissos familiares desviariam o padre de seus deveres relacionados com a comunidade dos fiéis.

Na defesa dessas idéias, costuma-se evocar Paulo de Tarso:

Na primeira epístola aos Coríntios, capítulo 7, versículo 8, diz o apóstolo:

- E aos solteiros e viúvos, digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também vivo.

Se os cristãos levassem sua observação ao pé da letra, estariam contribuído para a extinção da raça humana.

Considera-se, entretanto, que ele se referia à vida religiosa. Melhor que não se casem para que tenham maior liberdade nos serviços da fé.

Mas Paulo jamais pretendeu fazer de sua sugestão um artigo de fé, uma imposição de cumprimento indispensável, tanto que acentua, em seguida:

- Caso, porém, não se dominem, que se casem, porque é melhor casar do que abrasar.

Se o impulso do acasalamento, instintivo na natureza humana, fala alto, é razoável que o candidato aos serviços religiosos venha a constituir família, sem abdicar de seu ideal.

Muitos Espíritos reencarnam para sagradas tarefas no seio da religião. Experimentam a vocação religiosa desde a infância. Ordenam-se sacerdotes. Entretanto, não têm a vocação para o celibato e a castidade.

Enfrentam dorida solidão. Experimentam os apelos da sexualidade, ardem-se em fantasias e sonhos eróticos. Atormentam-se. Têm dramas de consciência...

- São os demônios - dizem seus superiores.

- São os hormônios – explicam os médicos. É natural no jovem.

A sexualidade desabrocha e os hormônios circulam, sugerindo o acasalamento.

Os sonhos eróticos dramatizam o que está acontecendo com o corpo.

Muitos sucumbem aos apelos da natureza animal e abandonam seus compromissos ou se comprometem em ligações proibidas.

Culpados? Não!

Culpa de uma disciplina que contraria a Natureza.

O homem e a mulher são duas partes que se completam.

Cérebro e coração...

Razão e sentimento...

Força e sensibilidade...

Permutam recursos magnéticos de equilíbrio e bem-estar, como valiosos estímulos para as realizações mais nobres.

Por isso, o amor está em primeiro lugar nas cogitações humanas.

Salvo, portanto, em circunstâncias especiais, em que a própria vida impõe a solidão afetiva, por imperativo de resgate e reajuste ou por opção voluntária, o casamento surge como um caminho natural para o homem.

Isso não impede sua realização no campo religioso.

Grandes vultos da Humanidade, com contribuições marcantes em favor do progresso humano, foram casados e tiveram filhos.

Há um ditado famoso, de exaltação do sexo feminino:

Por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.

No Espiritismo, onde o celibato é considerado uma opção pessoal, jamais uma disciplina indispensável à participação na direção das entidades, temos figuras ilustres que se casaram.

Bezerra de Menezes, grande médico da pobreza...

Peixotinho, extraordinário médium de efeitos físicos...

Cairbar Schutel, valoroso pioneiro do jornalismo espírita...

O exemplo maior está no próprio Codificador.

Allan Kardec tinha em sua esposa, Amélie Boudet, inestimável colaboradora.

Mas é imperioso observar, amigo leitor:

Se é um equívoco o homem negligenciar a família humana, para cuidar da família universal, não menos equivocado está aquele que se dedica exclusivamente à família humana, esquecendo-se da família universal.

Concretizada a união de dois corações enamorados que se realizam nos cuidados e nas alegrias da paternidade, muitos casais tendem a ver no círculo familiar o início e o fim de suas iniciativas e preocupações.

Prendem-se ao conceito estreito de família como ligação consangüínea, um clube fechado pelas chaves do sangue.

Nesses lares são precárias a paz e a harmonia, porquanto suas raízes de estabilidade emocional e espiritual são muito frágeis e curtas, não ultrapassando o torrão doméstico.

Para pessoas assim, que compõem grande parcela da Humanidade, problemas e limitações, contrariedade e dissabores, normais na Terra, tornam-se dramas terríveis, sempre que atingem o agrupamento familiar.

Por isso, o amor que inspira o anseio de uma vida em comum, onde os filhos se apresentam como frutos abençoados de afetividade, somente se manterá em plenitude, sem enganos, sem temores, sem desequilíbrios, quando suas raízes se estenderem além das paredes estreitas do lar.

Não há nada mais edificante, nem mais nobre, nem mais belo que o exemplo de corações que se amam, unidos no mesmo propósito de exercitar a fraternidade, participando de obras sociais e serviços religiosos, vendo na Humanidade uma grande família, onde todos se devem mútuo apoio.

O acasalamento nos realiza como filhos do Homem.

A solidariedade nos realiza como filhos de Deus.

E se muito amamos a família consangüínea e muito nos preocupamos com sua saúde, conforto e paz, multiplicando rogativas ao céu em seu benefício, recordemos que Jesus foi até a sogra de Pedro porque Pedro estava com Jesus.