29 Novembro 2005

CRISTIFICAÇÃO PELO AMOR

É certo que gostarias de ser amado, recebendo a afetividade de outrem em demonstrações de carinho conforme as necessidades que acreditas te afligirem.
Talvez fosse melhor que te chegassem ao sentimento as expressões retributivas do amor que esparzes, diminuindo-te as carências íntimas, acalmando-te as ansiedades, alegrando-te.
O problema, porém, é geral.
Não há indivíduo algum que se encontre referto na Terra, nessa área.
Quem recebe amor de determinadas pessoas, aspira pelo afeto de outras, que não aquelas que se lhe acercam.
Tens o pensamento dirigido para alguém que, possivelmente, não te corresponde, assim como outrem te anela, sem que sintas algo de especial por ele.
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Se as pessoas se correspondessem na mesma faixa de ternura; se os corações se manifestassem na mesma onda de sentimento; se os afetos se exteriorizassem na mesma vibração de trocas, a Terra já seria o paraíso desejado.
Há, no entanto, infinidade de graus, nos quais se manifestam as emoções.
Ninguém, todavia, que viaje a sós.
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Possivelmente, não te associas com a pessoa de quem gostas, ou não recebes a companhia do ser amado. Todavia, se espraiares o olhar de bondade compreensiva, identificarás companhias outras agradáveis, que se encontravam solitárias, porque anelavam por ti e não logravam aproximar-se.
São os aparentemente inexplicáveis paradoxos da existência corporal, cujas causas se encontram na conduta passada, quando de outras reencarnações.
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Ama, desse modo, sem te impores, sem exigires retribuição.
Experimenta querer bem, pelo prazer pessoal de fazê-lo, e descobrirás um filão de ouro atraente que te propiciará uma grande fortuna, em forma de paz e de satisfação pessoal.
O melhor do amor é amar, e não somente ser amado.
A preparação de uma viagem, não raro, é sempre mais agradável do que esta em si mesma, ou a sua chegada, que, às vezes, causa frustração e desencanto.
As chamadas "pessoas maravilhosas", por quem te apaixonas, assim o são, porque as desconheces.
Todos os homens têm problemas, limitações, defeitos, necessidades.
O insucesso das uniões conjugais, na maioria dos casos, resulta da precipitação na escolha, da imaturidade na busca, do apego às ilusões e da afetividade por ídolos de pés de barro que se despedaçam facilmente.
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Enobrece-te com o amor, irradiando-o em forma de simpatia, de gentileza, de serviço pelo próximo, de abnegação.
Não há quem resista à força do amor sem interesse imediato, sem aprisionamento.
Ama, portanto, libertando.
Cristifica-te através do amor. Talvez, para consegui-lo, seja-te necessário crucificares-te nas traves da renúncia e da sublimação. Todavia, somente por meio da crucificação é que alguém se pode cristificar. E o amor, sem dúvida, ainda é o mais suave, perfeito e eficaz instrumento para consegui-lo.
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Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Coragem.Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.Salvador, BA: LEAL, 1988.

23 Novembro 2005

SUPÉRFLUO E NECESSÁRIODia desses lemos num jornal de grande circulação o artigo de um professor de economia, que nos chamou atenção pela lógica e beleza da argumentação.Em seu texto o economista traça algumas objeções à intenção de parlamentares que defendem o aumento de impostos sobre produtos ditos supérfluos.E o professor inicia seu texto da seguinte forma:A felicidade está nas emoções e nos relacionamentos, e não nas coisas.As coisas não têm valor em si mesmas; elas só valem pela capacidade de satisfazer alguma necessidade vital ou para permitir a expressão de algum sentimento ou emoção.O alimento vale porque mata a fome; a roupa, porque abriga o corpo; a cama, porque propicia o repouso.Essas são, todas, necessidades vitais, sem as quais o corpo físico perece.Já uma música vale pela sensação de êxtase; um romance, pelo prazer da leitura; uma comédia, pela alegria do riso. Essas são emoções da mente, do espírito ou da alma.Sem elas, o corpo não fenece, mas o ser humano se entristece.Há produtos que atendem às duas necessidades: a vital e a emocional.Quando alguém compra uma roupa bonita, ela abriga o corpo, mas também permite o exercício da vaidade, cumprindo, assim, as duas funções.Volta e meia retornam as propostas de tributar, com altas taxas, os chamados bens supérfluos, entendendo como tais aqueles de que o ser humano não precisa para manter-se vivo e que, portanto, deveriam sofrer pesada tributação.Entre outros argumentos, muito lógicos e coerentes, o economista acrescenta:Esse seria um imposto da raiva, ou seja, ao verem as pessoas comprando bens e serviços que, a juízo de alguns, são chamados supérfluos, porque não são destinados à manutenção da vida do corpo físico, resolvem que eles devem ter pesada carga tributária.Outro equívoco é que tal visão do que seja um bem supérfluo é pequena, mesquinha e reducionista do que seja a vida na terra.O ser humano não é um animal sem consciência, sem desejos, sem vontades, sem emoções, sem um código de ética, sem sentimentos, sem espírito e sem alma.Para os ateus, pode até ser sem espírito e sem alma, mas as demais características estão presentes na personalidade desse ser único.Os bens necessários à manutenção da vida, como alimento, roupa e abrigo, não são os únicos para a realização da condição humana.A beleza desse animal racional está precisamente na grande variedade de aspectos, na complexidade desse ser e nas diferentes formas de viver e de ver a vida.É uma atitude de arrogância e prepotência querer atribuir, a quem quer que seja, a condição de julgar e concluir o que é e o que não é produto supérfluo.Ninguém tem condição de ser árbitro das necessidades e dos produtos que fazem outrem feliz. A respeito do necessário e do supérfluo, Allan Kardec fez o seguinte comentário, em O Livro dos Espíritos:Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo.A civilização criou necessidades que o selvagem desconhece. E não se pretende que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas.A civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio.Os que vivem à custa das privações dos outros exploram, em seu proveito, os benefícios da civilização.Desta têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só têm a máscara.
Equipe de Redação do Momento Espírita com base em artigo homônimo, do prof. José Pio Martins, publicado no jornal Gazeta do Povo, no dia 03/11/2005, e no item 717 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

14 Novembro 2005

NATAL DO CORAÇÃO
MEIMEI/Francisco Cândido Xavier

Abençoadas sejam as mãos que, em memória de Jesus, espalham no Natal a prata e o ouro, diminuindo a miséria e a necessidade, a fome e a nudez!...
Entretanto, se não forem iluminadas pelo amor que ajuda sempre, esses flagelos voltarão amanhã, como erva daninha que espreita a ausência do lavrador.
Não retenhas, assim, a riqueza do coração que podes dar, tanto quanto maior potentado da Terra!
Deixa que a manjedoura de tua alma se abra, feliz, ao Soberano Celeste, para que a luz te banhe a vida.
Com Ele, estenderás o coração onde estiveres, seja para trocar um pensamento compassivo com a palavra escura e áspera ou para adubar uma semente de esperança, onde a aflição mantém o deserto! Com Ele, inflamarás de júbilo os olhos de algum menino triste e desamparado, e uma simples criança, arrebatada hoje ao vendaval, pode amanhã ser o consolo da multidão... Com Ele, podes oferecer a bênção da tolerância aos que trabalham contigo transformando o altar de teu coração em altar de Deus!...
Que tesouro terrestre pagará o gesto de compreensão no caminho empedrado, o sorriso luminoso da bondade mo espinheiro da sombra e a oração do carinho e do entendimento no instante da morte?
Natal no espírito é a comunhão com Ele próprio.
Ainda que te encontres em plena solidão na manjedoura do infortúnio, sai de ti mesmo e reparte com alguém o dom inefável de tua fé.
Lembra-te de que Ele, em brilhando na manjedoura, tinha consigo apenas o amor a desfazer-se em humildade e, em agonizando na cruz, possuía apenas o coração, a desfazer-se em renúncia...
Mas, usando tão-somente o coração e o amor, sem uma pedra onde repousar a cabeça, converteu-se no Salvador do Mundo e, embora coroado de espinhos, fez-se o Rei das Nações para sempre.